Explicação Portuguese
O feliz paradoxo das bem-aventuranças
Unidade 30/Proclamação Portuguese
Se a felicidade é um desejo fundamental que todos temos e aquilo que buscamos naturalmente, por que é tão difícil encontrá-la?
Explicação Portuguese
(00:00 – 00:16) Gabi: US$ 5 bilhões de dólares. Isso valeu o mercado global do “bem-estar” em 2022. Só nos livros, a indústria da autoajuda é responsável por milhares de milhões de dólares gastos em todo o mundo, com o objetivo de ajudar as pessoas a encontrar a felicidade.
(00:17) Mas e se focar em encontrar a felicidade diminuir a probabilidade de você ser feliz? Novas pesquisas parecem indicar exatamente isso. A Revista de Psicologia Experimental mediu o quão motivados os estudantes universitários estavam para encontrar a felicidade em comparação com seus níveis de bem-estar.
(00:34) Era de se esperar que aqueles que procuravam a felicidade de forma mais consciente fossem também aqueles que tivessem níveis mais elevados de bem-estar, e foi exatamente isso que os investigadores descobriram na Rússia e na Ásia Oriental. Mas para os americanos, “querer desesperadamente ser feliz está ligado a uma saúde psicológica inferior”, diz o autor do estudo, Brett Ford.
(00:56) Eles observaram que “valorizar a felicidade estava associado a menor equilíbrio hedônico, menor bem-estar psicológico, menor satisfação com a vida e níveis mais elevados de sintomas depressivos”.
(1:07) Se a felicidade é um desejo fundamental que todos temos e algo que buscamos naturalmente, por que é tão difícil encontrá-la?
(1:14) …E porquê a diferença entre os países? A resposta pode estar na forma como as diferentes culturas veem e definem a felicidade. Em sociedades como o Japão, a felicidade é vista como um empreendimento social: passar tempo com os amigos, cuidar dos pais, etc. E, de forma mais geral, o Japão é um país com uma abordagem comunitária e coletivista que é culturalmente reforçada. Este tipo de conexão social é essencial para o bem-estar, diz Ford.
(1:40) As pessoas vêm tentando definir e medir a felicidade há séculos. Em 1780, o filósofo inglês Jeremy Bentham propôs que, como a felicidade era tão importante, medi-la deveria ser uma forma de determinar até que ponto um governo funciona bem.
(1:56) O Butão até criou um Índice Nacional Bruto de Felicidade que mede o desempenho do país em mais de 30 áreas-chave para calcular a sua felicidade geral. Outros países, organizações e grupos de investigação também tentaram quantificar a felicidade de muitas outras formas.
(2:13) Mas no Ocidente, a felicidade é muitas vezes vista como uma busca individual. O que vem à mente quando você pensa em um americano feliz? Talvez você imagine alguém com um emprego impressionante, morando em uma casa luxuosa, com um carro luxuoso. E ganha pontos extras se você conseguir exibir para seus seguidores nas redes sociais.
(2:30) O problema vem da expectativa de que essas coisas tragam felicidade. E isso fica pior com as redes sociais, onde vemos apenas alguns recortes e destaques da vida de nossos amigos. Essas expectativas parecem preparar as pessoas para uma coisa: uma vida cheia de decepções. Mas Ford diz que “a maioria das pessoas vive num estado bastante neutro. Uma vida feliz não se trata de momentos felizes a cada hora do dia”.
(2:59) Sabemos também que existem diferentes formas de felicidade. Você pode ficar feliz por terminar uma tarefa difícil, ou por estar casado com alguém que você ama… ou feliz apenas por comer um pedaço de bolo de cenoura com cobertura de chocolate. E todas essas são experiências e tipos de felicidade que podemos buscar.
(3:15) E embora todos possamos reconhecer a felicidade quando a experimentamos, pode ser difícil explicar ou prever o que nos tornará verdadeira e profundamente felizes.
(3:25) O psicólogo Dan Gilbert explica que “tendemos a superestimar o impacto emocional dos eventos positivos da vida”. Poderíamos pensar que um bom colega de quarto ou uma mega promoção nos tornaria permanentemente mais felizes, ignorando o fato de que teremos de nos adaptar às novas circunstâncias, e estas se tornarão o nosso novo estado neutro. Num estudo, os pesquisadores descobriram que mesmo ganhar na loteria não parecia produzir efeitos duradouros na felicidade. Portanto, resta-nos a auto reflexão: o que devemos fazer para experimentar uma felicidade duradoura? Que tipo de felicidade devemos buscar?
(4:03) O que nos leva a este verdadeiro desafio: a vida é cheia de decepções, sofrimentos, limitações, restrições e lutas. Que tipo de felicidade pode resistir a uma vida de desafios?
(4:15) Arthur Brooks começou a estudar a felicidade como professor na Harvard Business School. Ele ainda dá uma aula sobre o assunto.
(4:22) Em entre vista, Brooks comentou sobre a relação entre a felicidade e a busca pelo prazer. “Toda felicidade é uma combinação de prazer, satisfação e significado”, disse ele. “É disso que precisamos. Precisamos aproveitar a vida, o que não é a mesma coisa que prazer. A busca pelo prazer é o que leva ao vício e à miséria.”
(4:43 – 5:04) Parece que é difícil de encontrar a felicidade porque, embora todos desejemos ser felizes, nem sempre sabemos exatamente onde encontrá-la. Talvez o que precisemos seja de uma definição mais clara do que a felicidade significa para nós. Precisamos de uma visão mais completa deste estado para compreender e priorizar aquelas coisas que realmente nos levam à felicidade autêntica e duradoura.
Mantenha-se atualizado com os lançamentos de vídeos, anúncios e mais!
Ao enviar este formulário, você consente em receber e-mails sobre Real+True e outros projetos da OSV.