Explicação Portuguese
Como os pecados são perdoados através do Sacramento da Confissão?
Unidade 19/Proclamação Portuguese
A culpa católica é real? Como devemos responder quando nos sentimos culpados?
Explicação Portuguese
Marcos: Em entrevista ao Los Angeles Times, Omar Apollo – que cresceu católico e foi indicado ao Grammy – foi questionado se sua fé católica teve um papel importante em seu processo de composição musical. Ele respondeu dizendo:
Omar Apollo: “Eu costumava sentir uma tremenda culpa católica. Completamente. E eu tinha medo de dizer certas coisas na minha música por causa disso.”
Omar então explicou que usar palavrões ou fazer música sobre certos assuntos o fazia se sentir culpado.
É interessante que Omar tenha sentido muita culpa, parte dela relacionada a sua a infância, família e experiência com a Igreja Católica e seus ensinamentos. Em um episódio de 30 Rock chamado “O irlandês lutador”, Jack Donaghy, interpretado por Alec Baldwin, diz:
Omar Apollo “Há uma culpa avassaladora que vem junto com ser católico. Se as coisas estão certas ou erradas ou apenas… você está comendo tacos no parque, sempre há uma culpa avassaladora.”
A culpa católica tem até sua página da Wikipedia em inglês. Assim diz: “A culpa católica é o excesso de culpa sentida pelos católicos, praticantes ou não”.
De onde vêm esses sentimentos de culpa? e como podemos lidar com eles?
Devemos fazer uma distinção entre culpa e vergonha. Culpa e vergonha compartilham redes neurais semelhantes nas áreas temporal e frontal do cérebro, mas seus padrões são muito diferentes. A culpa ocorre quando nosso comportamento entra em conflito com a consciência já a vergonha é desencadeada por pensar que prejudicamos nossa reputação ou quando temos medo de alguma situação constrangedora.
Em estudos de fMRI, cientistas da Universidade Ludwig-Maximilians, em Munique, descobriram que a vergonha desencadeava alta atividade neural no lado direito do cérebro, mas não na amígdala, parte direita do cérebro que lida com memória, razão e resolução de problemas. E na culpa, havia atividade nos lobos frontais e na amígdala, mas menos atividade em ambos os hemisférios do cérebro. A amígdala lida com coisas como responder a ameaças, por exemplo.
Brené Brown, autora e apresentadora do TED, disse o seguinte sobre culpa e vergonha:
“Acho que a culpa é adaptativa e útil – é um transtorno psicológico sobre algo que fizemos ou deixamos de fazer contra nossos valores. Eu defino vergonha como um sentimento ou experiência intensamente dolorosa de acreditar que somos imperfeitos ou indignos de amor e pertencimento – algo que experimentamos, fizemos ou deixamos de fazer nos torna indignos de conexão. Não acho que a vergonha seja útil ou produtiva. Na verdade, acredito que a vergonha pode ser a fonte de comportamentos destrutivos e prejudiciais, e não a solução ou a cura.”
Economistas e neurocientistas investigaram isso criando um jogo econômico projetado para testar a teoria da aversão à culpa – nosso desejo de evitar sentimentos negativos. No jogo, alguns participantes são ‘investidores’ e outros são gerentes. Os investidores dão certo dinheiro aos gerentes, e os gerentes são informados de que os investidores esperam uma certa quantia de retorno. Então, em uma máquina de fMRI, os cérebros dos gerentes foram escaneados enquanto eles decidiam quanto dinheiro devolver.
Eles descobriram que existem duas estruturas neurais ativas quando estamos decidindo se vamos honrar as expectativas do outro. A estrutura neural por trás do nosso desejo de evitar a culpa é ativada quando decidimos cooperar uns com os outros.
A culpa está ligada ao desejo de preservar nossas relações com os outros e de manter um código moral. A psicóloga Jena Field explica que a culpa tem foco comportamental e, por isso, é identificada como uma emoção adaptativa e moral. Quando a vergonha tem mais a ver com identidade. Ela diz que “a vergonha causa uma resposta de medo que nos faz ficar na defensiva ou nos esconder, o que não nos permite ver objetivamente nossas opções”. A vergonha nos faz evitar a introspecção e admitir nossos erros. Se o fizéssemos, concordaríamos com a narrativa de que somos “maus” ou “não tão bons”.
Gerald Fishkin, psicólogo e autor de A Ciência da Vergonha explicou desta forma: A culpa está associada à parte lógica do nosso cérebro. A vergonha é mais emocional e normalmente não envolve pensamento ou raciocínio lógico. Por exemplo, nos relacionamentos, a culpa pode nos levar a buscar a restauração e evitar ferir os outros. A vergonha está mais relacionada à desonra social, e pode nos levar a evitar os outros ou nos esconder.
Existe uma ideia falsa, mas popular, de que os católicos sentem-se mais culpados do que os outros.
Um estudo de Psicologia da Religião descobriu que os participantes católicos demonstraram um nível mais alto de reações construtivas de culpa do que outros grupos. Mas isso não significa que os católicos experimentem “mais” a culpa.
Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e da Universidade de Notre Dame estudaram a culpa católica entre adolescentes nos Estados Unidos. Os autores não encontraram evidências de que os católicos experimentam mais a culpa do que os não católicos. Eles também expressaram que o catolicismo causava e aliviava menos culpa do que outras religiões.
Os autores não descobriram que os católicos praticantes sentem mais culpa do que os menos praticantes. também não encontraram diferenças no efeito dos comportamentos indutores de culpa entre católicos e não católicos.
Durante a entrevista, Omar Apollo disse: “Estes não são meus pensamentos … Tenho minhas perspectivas e vivo de acordo com meu próprio código moral.” Talvez usemos os termos ‘culpa’ e ‘vergonha‘ de forma intercambiável. Talvez Omar não estivesse sentindo ‘culpa’, mas alguma vergonha por suas canções e decisões. Isso nos faz pensar se ele se sentiria culpado se não estivesse vivendo de acordo com seu próprio código moral.
Como podemos lidar com a culpa e a vergonha? Embora esses sentimentos façam parte de nossa condição humana, também precisamos encontrar algum tipo de restauração para lidar com eles.
Nos relacionamentos, fica claro que devemos reparar qualquer dano causado quando nos sentimos culpados. Mas e quando nos sentimos culpados por ações que não afetam os outros? Devemos rever nosso código moral ou procurar alguma outra forma de restauração?
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