Explicação Portuguese
Por que a Igreja Católica pode perdoar os pecados?
Unidade 11/Proclamação Portuguese
Como é o verdadeiro perdão? O que é a verdadeira justiça? Acreditamos que o perdão pode ter um lugar válido para uma sociedade que promove a virtude?
Explicação Portuguese
Marcos: AJ Bohannon estava no seu direito de acionar a polícia depois que R$10.000,00 foram roubados de seu carro. A câmera do veículo mostrou um menino de 12 anos e um amigo dele entrando no carro e indo embora com os braços cheios de dinheiro. Em vez de denunciá-los ou prestar queixa, Bohannon procurou o menino e o perdoou, implorando que ousasse mudar de vida. Bohannon disse: “Em cada dia que possuo esses reais, seu valor diminui. A cada dia que ele está na terra, seu valor aumenta, então isso é o que mais me preocupa.”
Mas a relação entre a lei, o perdão e a justiça é muito complexa. Se a polícia tivesse pego o menino roubando o carro, a história teria sido bem diferente. E isso porque – surpreendentemente – o perdão nem sempre tem lugar no sistema legal.
Temos um desejo natural de justiça, especialmente quando vemos maus atos cometidos sem retribuição ou quando o ofensor é abusivo.
Então, qual é o propósito do sistema judiciário? É apenas para aplicar punições, ou para encorajar a virtude? ou ainda somente para acertar as contas quando ocorre uma ofensa?
David Upham: Olá, sou David Upham. Sou professor de política na Universidade de Dallas. Eu também sou diretor de estudos jurídicos.
Quando falamos sobre o sistema de justiça criminal, uma das primeiras coisas a serem ditas é que o governo, ou a comunidade por meio de seu governo, deve ao indivíduo a proteção da lei – e proteção efetiva.
Marcos: Existe um movimento em todo o mundo chamado justiça restaurativa, que busca incorporar o perdão e a reconciliação no sistema legal entre ofensores e vítimas. A justiça restaurativa implementa encontros entre vítimas e ofensores, atos de retribuição e até mesmo pedidos de desculpas.
Howard Zehr, considerado “o avô da justiça restaurativa”, começou seus trabalhos na década de 1970 por dois motivos. Primeiro, porque ele acreditava que o sistema de justiça muitas vezes responde aos infratores de maneiras contraproducentes. E segundo, porque observou grande raiva nas vítimas, quando não foram atendidas em um processo judicial.
A Bíblia fala de Jubileus, que são tempos periódicos de perdão de dívidas e libertação de presos, existe até hoje!
No Jubileu de 2000, o Papa João Paulo II pediu o cancelamento das dívidas externas dos países em desenvolvimento. Mais de 60 nações aderiram e conseguiram eliminar mais de 100 bilhões de dólares de dívida externa, reduzindo consideravelmente a pobreza desses países.
O Papa Francisco também anunciou o Jubileu da Misericórdia de dezembro de 2015 a novembro de 2016, vivido pela Igreja como um tempo de remissão dos pecados e perdão universal, focando particularmente no perdão e na misericórdia de Deus.
David Upham: O perdão em seu sentido mais perfeito é a remissão completa de qualquer culpa ou punição que justamente pertença a alguém. A justiça tem um componente negativo em que quem faz algo ruim tem direito a uma certa punição ou retribuição. O perdão é a liberação de alguém dessa obrigação e desse fardo.
Marcos: Então, como sociedade, acreditamos o suficiente no poder do perdão para dar-lhe um lugar importante na lei e nos tribunais? E se sim, quem tem o direito de perdoar nessas situações? E se a vítima recusar o perdão, ou se o agressor nunca se desculpar? Acreditamos que o perdão tem um lugar válido em uma sociedade virtuosa que fomenta a virtude sem encorajar a ofensa? No centro dessas questões, somos confrontados com nossas próprias decisões no dia-a-dia.
Acreditamos no perdão? Quando Jesus nos convida a perdoar, realmente acreditamos que podemos perdoar e sermos perdoados?
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