O Significado de “O Fim” e Como Grandes Histórias Nos Transformam
Por que a palavra "Fim" ressoa tão profundamente em nós? Em grandes histórias, os finais não são apenas conclusões: são pontos de virada.
Por que a palavra "Fim" ressoa tão profundamente em nós? Em grandes histórias, os finais não são apenas conclusões: são pontos de virada.
Lembra daquele final clássico de filme, com a música tocando e a palavra “Fim” aparecendo na tela? Mas isso é mais do que um simples anúncio; carrega um peso simbólico. Quando o mocinho finalmente beija a mocinha e eles caminham juntos em direção ao pôr do sol, todos sabemos que “Fim” não significa realmente “o fim” para esse casal no filme.
Muitos dos grandes contadores de histórias do cinema, da literatura e da televisão sabiam que uma boa história ressoa muito além da tela. J.R.R. Tolkien deixou isso claro em seu ensaio sobre histórias literárias, intitulado “Sobre Histórias de Fadas”.
Ele diz: “Cheguei à conclusão de que a eucatástrofe produz alegria na revelação de um final feliz porque é um súbito lampejo da Verdade; toda a sua natureza, acorrentada à causa e efeito material, à corrente da morte, sente um alívio repentino como se um membro principal, deslocado, tivesse sido subitamente recolocado em seu lugar.”
Aqui, Tolkien descreve a “eucatástrofe”, um termo que ele cunhou como o oposto do conceito grego de “catástrofe”. Não se trata do oposto de um final infeliz, mas de uma grande reviravolta do desastre para a salvação.
Mas, por mais que nos alegremos com um final feliz, também não queremos que ele termine. Em seu livro Jogos Finitos e Infinitos, James P. Carse apresenta o conceito de que as histórias estão profundamente conectadas ao jogo infinito. Carse afirma que tudo na vida é um jogo.
Em jogos finitos, o objetivo é vencer, como no basquete ou no xadrez. Mas, em um jogo infinito, o objetivo é continuar jogando. Carse argumenta que relacionamentos, a busca pela excelência em uma habilidade ou o desejo de ser “o melhor” em algo são exemplos de jogos infinitos.
Uma ideia fundamental é que, enquanto jogos finitos visam a vitória, jogos infinitos são sobre transformação. Uma história não é simplesmente uma forma de narrar um evento; é uma forma de ver o mundo. Carse defende que histórias não devem ser concluídas ou finalizadas. Ao contrário dos jogos finitos, que buscam um desfecho, uma boa história convida à reflexão, à interpretação e até mesmo a novas histórias. Elas são, por natureza, abertas.
Vivemos nossas vidas dentro de histórias. Elas não são apenas narrativas que contamos, mas espaços que habitamos. As histórias que ouvimos nos convidam a reagir.
Quando “Fim” aparece na tela após o final feliz, o que essas histórias realmente fazem é nos convidar de volta ao início. É uma oportunidade para relembrarmos o quanto já percorremos e imaginarmos o que o futuro nos reserva. É como se nos perguntassem: “E vocês também começarão uma nova vida, transformados pelas lições aprendidas nesta jornada?”
Nesse mesmo ensaio sobre histórias de fadas, Tolkien disse que a vida, a morte e a ressurreição de Jesus constituem a maior história eucatastrófica de todas. E a Oração do Pai Nosso é um resumo da grande história da relação entre Deus e a humanidade. E, ao final, dizemos “Amém”. Mas “Amém” não apenas reconhece que a oração terminou; significa “Estou de acordo, que assim seja”. De certa forma, estamos dizendo: “Estou de acordo e que recomece em minha vida”.
Então, de qual história você faz parte e em qual história você acredita? Ela tem um final feliz ou um final triste? Ou você faz parte de uma história que acredita que os finais são, na verdade, recomeços transformadores que nos convidam a dar uma resposta?
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