Explicação Portuguese
Confiando no Plano de Deus: O Poder de Dizer “Seja Feita a Vossa Vontade”
Unidade 44/Proclamação Portuguese
Explore a relação entre livre-arbítrio e obediência e por que a verdadeira liberdade não se resume a ter escolhas ilimitadas.
Explicação Portuguese
(00:00) Gabi: No filme Matrix, o protagonista, Neo, precisa tomar uma decisão. Ele tomará a pílula vermelha ou a azul? A “pílula vermelha” representa aprender a dura verdade sobre a realidade. A “pílula azul”, por outro lado, representa permanecer ignorante em meio a um mundo simulado, ou seja, escolher continuar vivendo sem saber a verdade. Mas você percebe que há uma questão ainda mais complicada?
(00:25) Mais tarde, Neo encontra o Oráculo em sua cozinha enquanto ela prepara biscoitos. “Não se preocupe com o vaso”, ela diz a ele. Neo, virando-se para procurá-lo, o derruba e o quebra. Então ela diz: “Eu disse para você não se preocupar. O que vai mesmo fazer seus miolos queimarem é: você teria quebrado se eu não tivesse dito nada?” Ao longo do filme, ele se pergunta: Quem é verdadeiramente livre se suas decisões já estão predeterminadas?
Se alguém já sabe o que você vai decidir no futuro, isso significa que você não tem liberdade real? E se essa pessoa que consegue ver o futuro também estiver interagindo com você hoje, isso significa que ela está tomando decisões livres sobre a sua vida?
(01:06) Essas questões filosóficas como obediência, realidade e livre-arbítrio estão no centro de toda a saga Matrix. Mas essas questões não são novas… elas têm raízes profundas na história — remontando à Grécia Antiga, onde essas mesmas questões já eram debatidas.
(01:21) Desde o século VIII a.C., em obras como A Odisseia, de Homero, surge o conceito de “Moira”, geralmente traduzido como “destino” e que representa uma força que determina o inevitável. No entanto, os personagens de Homero permanecem responsáveis por suas decisões, mesmo que não consigam escapar do destino.
(01:43) Sócrates argumentava que o conhecimento nos leva a fazer escolhas virtuosas. Para ele, todos temos algum nível de livre-arbítrio, mas nossas escolhas podem ser limitadas pela ignorância. Setecentos e cinquenta anos depois de Sócrates — já nos séculos IV e V — Santo Agostinho de Hipona também refletiu e escreveu extensivamente sobre o livre-arbítrio. Para ele, os humanos têm liberdade, mas ela é limitada pelo pecado, e não podemos escolher plenamente o bem sem a graça de Deus. É a graça que nos permite recorrer a Deus e colaborar com Sua vontade.
(02:21) Mais tarde, durante o Iluminismo (séculos XVII e XVIII), filósofos como Descartes e Kant também exploraram o livre-arbítrio como fundamental para os seres humanos. Descartes lutou com a ideia de que o corpo humano funciona de acordo com leis mecânicas predeterminadas, mas a alma — como um ser imaterial — permanece livre e capaz de escolha.
(02:43) Ao longo da história, continuamos a nos fazer as mesmas perguntas: entregar nossa vontade a um poder superior — ou a uma ordem moral superior — nos torna menos livres? O que realmente significa fazer escolhas livres? Se pensarmos em liberdade como meramente a ausência de restrições, qualquer forma de obediência pareceria limitante. Mas, de Sócrates a Kant, muitos pensadores argumentaram que a verdadeira liberdade não é simplesmente fazer o que queremos ou evitar o controle, mas viver de acordo com o que é bom, verdadeiro e significativo.
(03:15) É aqui que a analogia do arco e flecha de São Tomás de Aquino pode nos ajudar. Segundo ele, temos livre-arbítrio e somos verdadeiramente livres para tomar nossas próprias decisões. Mas ele faz uma distinção importante entre liberdade de escolha e liberdade verdadeira.
(03:31) A verdadeira liberdade não consiste em fazer o que queremos sem que ninguém nos diga nada, mas em ser capaz de tomar decisões em harmonia com a razão e a virtude. Sim, é verdade, você pode escolher o que quiser. Mas se você escolher ir contra a razão e a virtude, você se tornará menos livre. Por exemplo, você pode decidir beber álcool todos os dias, mas isso pode levar ao desenvolvimento de um vício, e você acabará com menos capacidade de parar. Nesse sentido, escolher contra a bondade e a virtude limita nossa vontade.
(04:08 – 04:53) São Tomás explica isso com o exemplo de alguém atirando uma flecha. Essa pessoa escolhe livremente o alvo, mas a flecha deve seguir as leis da física e a trajetória adequada para atingir o centro. Da mesma forma, nossa liberdade é real, mas precisa seguir a ordem moral para alcançar a verdadeira felicidade. Claro, você pode usar o arco e a flecha como quiser. Mas se o objetivo é encontrar a felicidade, então precisamos usar a razão e o intelecto para descobrir o que é certo e bom.
Portanto, embora a princípio possa parecer que nos submeter a uma lei superior — ou à vontade de Deus — nos limita, a verdadeira questão é: acreditamos que existem escolhas certas e erradas? E escolheremos a coisa certa mesmo quando for difícil?
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