Transcrição
(00:00 – 00:09) Marcos: Imagine como seria sua oração se você soubesse que seria preso e condenado à morte em poucas horas. A Bíblia descreve Jesus exatamente nessa situação nos Evangelhos.
(00:10 – 00:30) Gabi: Pouco antes de Jesus ser preso, Ele passa por um momento de oração extremamente intenso, sabendo o que está por vir. Mas durante o que chamamos de “agonia no jardim”, há um momento que pode nos confundir, especialmente porque também acreditamos que Jesus é Deus. Jesus diz: “Pai, se for possível, afasta de mim este cálice…” Então, isso significa que Jesus não queria obedecer ao Pai?
(00:31 – 00:52) Marcos: Jesus é totalmente Deus e totalmente humano. Portanto, nesta oração, Jesus está expressando que Sua vontade humana — como a nossa — sempre busca viver. Temos um forte desejo de viver e, por natureza, nossa vontade não deseja dor ou sofrimento. O Catecismo explica isso no parágrafo 612: “Exprime desse modo o horror que a morte representa para a sua natureza humana.”
(00:53 – 01:08) Gabi: Ouvimos a resposta alguns momentos depois, quando Jesus ora: “Contudo, não seja feita a minha vontade, mas a Tua”. Embora sua natureza humana estivesse em agonia com a ideia de morrer, Jesus nos dá o exemplo mais claro do que significa colocar a vontade do Pai acima da nossa.
(01:09 – 01:16) Marcos: A oração de Jesus durante a agonia no Jardim nos lembra das palavras da Oração do Pai Nosso, quando Ele nos ensinou: “Seja feita a Vossa vontade”.
(01:17 – 02:31) Gabi: O Catecismo explica isso melhor no parágrafo 2824, onde diz: “Foi em Cristo e pela sua vontade humana que a vontade do Pai se cumpriu perfeitamente e duma vez para sempre. Ao entrar neste mundo, Jesus disse: «Eu venho, […] ó Deus, para fazer a tua vontade» . Só Jesus pode dizer: «Faço sempre o que é do seu agrado» . Na oração da sua agonia, Ele conforma-Se totalmente com esta vontade: «Não se faça a minha vontade, mas a tua». Eis por que Jesus «Se entregou pelos nossos pecados […] consoante a vontade de Deus» .
(01:55 – 02:11) Marcos: Ao nos ensinar a Oração do Pai Nosso, Jesus não apenas nos convida a apresentar nossas necessidades a Deus. Ele também nos ensina a orientar nossa vontade para a de Deus. E Jesus sabe como isso pode ser difícil, especialmente quando enfrentamos sofrimento, porque Ele passou pelo pior sofrimento imaginável.
(02:12 – 02:31) Gabi: No início, podemos ter dificuldade em aceitar plenamente a vontade de Deus. Mas a Sua vontade é perfeita e boa. Jesus nos prova que Deus quer o melhor para nós, não apenas uma felicidade passageira. Ele está disposto a sofrer e morrer na cruz para nos salvar e nos reconciliar com Ele.
(02:32 – 02:45) Marcos: Na Oração do Pai Nosso, reconhecemos a vontade de Deus antes de pedirmos por nossas necessidades. Não é que Deus não se importe conosco ou que Ele queira impor Sua vontade por egoísmo. A vontade de Deus É o nosso bem mais profundo e verdadeiro.
(02:46 – 03:02) Gabi: Deus sabe melhor do que ninguém como nos conduzir à felicidade duradoura. É como quando os pais estabelecem regras para os filhos, como ir para a cama cedo ou comer de forma saudável. Como crianças, aprendemos a confiar que eles sabem o que estão fazendo, até melhor do que nós..
(03:03 – 03:24) Marcos: De forma parecida, podemos aprender a confiar em Deus com a ajuda de Sua graça e praticando a obediência à Sua vontade, mesmo quando as coisas ficam difíceis. Mas essa decisão tem grande peso em nossas vidas. Quando escolhemos ir contra a vontade de Deus, não é apenas desobediência: é pecado. Adão e Eva, em seu primeiro pecado, desobedeceram à vontade de Deus.
(03:25 – 03:46) Gabi: Jesus, por outro lado, foi perfeitamente obediente à vontade do Pai. Ele tem uma vontade humana e uma vontade divina. E Ele é capaz de obedecer “até a morte”. Jesus substitui a nossa desobediência por Sua obediência. E assim, Deus oferece Sua própria obediência como sacrifício para vencer o pecado e nos reconciliar com Ele.
(03:47 – 04:05) Marcos: A vontade humana de Cristo não se opõe nem resiste, mas se submete em obediência à Sua vontade divina. Na Oração do Pai Nosso, quando dizemos “Seja feita a Vossa vontade”, pedimos que o plano amoroso de Deus seja plenamente realizado na Terra — e em nossas vidas — como já é no céu.
(04:06 – 04:19) Gabi: O Catecismo diz no parágrafo 2823: “Ele «manifestou-nos o mistério da Sua vontade, segundo o beneplácito que N’ele de antemão estabeleceu”. Por meio de Jesus e Seus ensinamentos, agora conhecemos a vontade do Pai.
(04:20 – 04:40) Marcos: Mas Ele também nos dá o dom do Espírito Santo e a graça para cumpri-la. É assim que a Sua vontade pode ser feita “assim na terra como no céu”: pela graça, pela vida em Cristo, pela oração e pelo nosso esforço para compreender e obedecer à Sua vontade, mesmo quando a nossa vontade humana quer evitar desafios e sofrimentos.
(04:41 – 04:55) Gabi: Deus gradualmente nos ensina a ser cada vez mais obedientes à sua vontade. Os momentos de cada dia — especialmente os momentos difíceis — podem nos ensinar a ser humildes e obedientes se os levarmos ao nosso Pai em oração.
(04:56 – 05:11) Marcos: Mas nunca estamos sozinhos. Jesus quer estar conosco por meio dos Sacramentos, do dom do Espírito Santo e da comunhão com o seu Corpo — a Igreja. Nossa oração e nossa obediência à vontade de Deus ocorrem dentro do contexto da família de Deus: a Igreja.
(05:12 – 05:22) Gabi: Fazer a vontade de Deus não nos leva apenas à nossa felicidade e ao bem supremo. Dizer obedientemente “Seja feita a Vossa vontade” também permite que Deus aja através de nós para a felicidade dos outros.
(05:23 – 05:45) Marcos: Jesus sabe muito bem que a Oração do Pai Nosso pode ser difícil de ser rezada de todo o coração. Mas Ele quer nos ajudar a rezá-la porque conhece o plano amoroso de Deus para nossas vidas. E é por isso que, na Oração do Pai Nosso, Deus nos convida a conhecer e amar a Sua vontade para nossas vidas… e para a vida dos outros.