Transcrição
(00:00 – 00:10) Gabi: Lembra quando Jesus foi para o deserto e ficou um longo tempo sem comer, orando e enfrentando tentações? Houve um momento em que ele foi tentado a transformar pedras em pães.
(00:11 – 00:25) Marcos: A Bíblia diz que, depois que Jesus foi batizado por João, o Espírito o levou ao deserto para ser tentado pelo diabo. Lá, ele orou e jejuou por 40 dias, e a passagem menciona que depois disso… ele ficou com fome.
(00:26 – 00:29) Gabi: E… estamos certos de que cada versículo das Escrituras é inspirado por Deus?
(00:30 – 00:55) Marcos: Ok, eu sei que parece óbvio e desnecessário dizer que Jesus ficou com fome depois de 40 dias sem comer. Mas pense por que as Escrituras mencionam isso. Acreditamos que Jesus é totalmente humano e totalmente Deus. Então, mesmo sendo totalmente humano, ele também pode andar sobre as águas, curar pessoas e até mesmo ressuscitá-las! Então, não é tão absurdo perguntar: depois de 40 dias sem comer, Jesus realmente sentiu fome?
(00:56 – 01:12) Gabi: As Escrituras nos mostram que Jesus sente fome, sede e sofrimento físico assim como nós, mesmo sendo Deus. Ele não apenas entende as nossas necessidades, mas as vivenciou na própria carne, assim como nós sentimos um desejo profundo de que as nossas necessidades sejam atendidas.
(01:13 – 01:33) Marcos: E ele também experimenta a tentação, assim como nós. O diabo tenta Jesus no deserto, dizendo: “Se és o Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães”. Mas Jesus responde: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”.
(01:34 – 01:44) Gabi: O pão aparece muitas vezes na Bíblia. E nessa tentação de Jesus — e também na forma como Ele nos ensina a orar — somos convidados a pensar sobre nossas necessidades de uma maneira completamente diferente.
(01:45 – 02:08) Marcos: Quando os discípulos pedem a Jesus que os ensine a orar, Ele lhes ensina a Oração do Pai Nosso. E nessa oração, Jesus nos ensina a dizer: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”. Nas três primeiras petições da Oração do Pai Nosso, falamos do nome, do Reino e da vontade de Deus. E nas quatro seguintes, Jesus nos convida a ir até Deus com todas as nossas necessidades.
(02:09 – 02:38) Gabi: O Catecismo diz — em um belo verso do parágrafo 2828, sobre a frase «Nos dai»: como é bela a confiança dos filhos, que tudo esperam do Pai!. Dizer a Deus: “nos dai” é um ato de confiança e fé pura nEle. Somos convidados a ser como crianças que pedem ao pai com amor e confiança. E Jesus nos ensina que Deus pode e quer cuidar de nós, porque Ele nos ama como um verdadeiro pai.
(02:39 – 02:52) Marcos: Jesus nos ensina a pedir o Pão “nosso”, também porque reconhece que Deus é um bom Pai para todos. Rezamos por “nós” e por nossas necessidades, em solidariedade com todos os necessitados.
(02:53 – 03:05) Gabi: Mas, ao pedir o pão de cada dia, também aprendemos a pensar além do material. Fomos criados com fome física, sim, mas também com fome espiritual.
(03:06 – 03:26) Marcos: É fato que todos sentimos uma profunda fome espiritual por Deus, por Sua Palavra e pela comunhão com Ele. Quando Jesus diz ao diabo que “o homem não vive somente de Pão, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”, ele está nos ensinando que existem necessidades mais profundas e importantes do que as físicas.
(03:27 – 03:52) Gabi: Também podemos — e devemos — ter fome de justiça e paz. Ansiamos que nossas necessidades físicas e espirituais sejam atendidas, mas também pelas necessidades dos outros. O Catecismo diz no parágrafo 2835: “É por isso que o sentido especificamente cristão desta quarta petição tem a ver com o Pão da Vida: a Palavra de Deus, que deve ser acolhida na fé, e o corpo de Cristo, recebido na Eucaristia.”
(03:53 – 04:17) Marcos: Mas o Catecismo também nos ensina que há várias camadas de significado na palavra que Jesus escolheu para o pão que pedimos. Jesus nos ensinou a pedir o pão “de cada dia”. E essa palavra nas Escrituras tem mais de um significado. De fato, a palavra original que aparece no texto não é usada em nenhum outro lugar do Novo Testamento. Ela significa tanto “do dia” quanto “pão superessencial”.
(04:18 – 04:34) Gabi: É uma referência direta ao Pão da Vida, o Corpo de Cristo. Jesus é o Verbo feito carne, e Ele é o verdadeiro pão da vida que nos foi dado na Eucaristia. Sem Jesus, sem a Eucaristia, não temos verdadeira vida dentro de nós.
(04:35 – 05:05) Marcos: Então, em última análise, a Eucaristia é o nosso verdadeiro pão de cada dia. Deus Pai nos convida — como seus filhos — a pedir-lhe o que necessitamos. Mas Ele sabe melhor do que nós o que realmente precisamos. É por isso que Jesus nos ensina a pedir não apenas coisas materiais, mas também o Pão do Céu. E na Missa, recebemos o verdadeiro alimento, que nos nutre o corpo e a alma. Escutamos a Palavra de Deus e recebemos o Verbo feito carne, o Pão da Vida: o próprio Jesus.
(05:06 – 05:30) Gabi: O Catecismo diz: Cristo «é Ele mesmo o Pão que, semeado na Virgem, levedado na carne, amassado na paixão, cozido no forno do sepulcro, guardado em reserva na Igreja, levado aos altares, fornece cada dia aos fiéis um alimento celeste» (CIC 2837). E, lembrando-nos disso, somos convidados a recorrer a Deus em oração, pedindo a Ele por todas as nossas necessidades.