Explicação Portuguese
Por que o “Pão nosso de cada dia” é muito mais do que apenas comida
Unidade 45/Proclamação Portuguese
E se sobreviver não for tudo? E se o verdadeiro objetivo for viver plenamente?
Explicação Portuguese
(00:00) – Marcos: Um escocês chamado Agostino Angus Barbieri sentou-se certa manhã para um café da manhã bastante incomum: um ovo cozido, uma fatia de pão com manteiga e uma xícara de café. Mas o mais interessante sobre o café da manhã é que foi a primeira vez que Angus comeu em mais de um ano. Isso foi em julho de 1966.
(00:20) Costuma-se dizer que os humanos podem viver algumas semanas sem comida, alguns dias sem água e apenas alguns minutos sem ar. Essas são as nossas necessidades básicas, não são? Mas será que é realmente tudo o que precisamos para sobreviver?
(00:32) Sob supervisão médica, Angus Barbieri jejuou por mais de 382 dias… e sobreviveu! Como ele conseguiu? No primeiro dia de jejum, quando subiu na balança, pesava cerca de 207 quilos. No final, pesava apenas 82 quilos. Durante esse tempo, ele consumiu apenas coisas como chá, café e água mineral. Os médicos o monitoraram e lhe deram suplementos nutricionais. Seu caso foi publicado posteriormente no Postgraduate Medical Journal em 1973 e, até hoje, permanece como um dos exemplos mais extremos e bem documentados dos limites do corpo humano.
(01:10) A verdade é que a maioria das pessoas só consegue viver um tempo muito limitado sem comer. O corpo usa reservas de gordura quando não recebe calorias suficientes. Como Angus tinha uma quantidade de calorias acumulada, ele conseguia sobreviver sem comida por mais tempo.
(01:26) Portanto, dizer que as pessoas só “precisam de comida” para viver é uma visão simplista. O que o corpo realmente precisa são calorias, sejam elas de alimentos ou de gordura armazenada. E o que são calorias? São unidades de energia: a quantidade de calor requerida para aumentar em um grau Celsius a temperatura de um grama de água. Mas talvez a sobrevivência seja mais complexa.
(01:49) No início dos anos 1900, um homem chamado Abraham pensava em algo semelhante enquanto estudava psicologia na Universidade de Columbia. Na época, a psicologia se concentrava fortemente em patologias mentais ou “anormalidades”. As teorias behavioristas e freudianas se concentravam em identificar e tratar comportamentos “atípicos”. Mas Abraham achava que era uma ideia simplista demais dizer que uma pessoa “saudável” é apenas alguém que não tem um determinado transtorno.
(02:18) Abraham nasceu no Brooklyn em 1908, em uma família de imigrantes judeus russos. Quando jovem, sentiu-se isolado e muito sozinho, e talvez isso tenha despertado a intuição de que existem outras “necessidades” da pessoa humana, além das físicas ou simplesmente da ausência de condições psicológicas atípicas.
(02:41) Em vez de encarar o bem-estar humano como o tratamento de todos os transtornos e disfunções dos pacientes, Abraham se perguntou se poderia encontrar uma terceira força na psicologia, uma que não fosse nem a psicanálise nem o behaviorismo.
(02:55) Ele trabalhou com um psicólogo chamado Harry Harlow, que conduzia experimentos com macacos bebês. Harlow demonstrou que macacos criados sem o calor de uma mãe de verdade (apenas com bonecas de arame que os alimentavam) desenvolviam sérios problemas comportamentais. Embora sobrevivessem fisicamente, eram incapazes de formar vínculos emocionais e demonstravam ansiedade e agressividade.
(03:21) Abraham Maslow dedicou-se então a estudar pessoas que considerava especialmente sábias, compassivas ou produtivas — como Eleanor Roosevelt, Albert Einstein e outros — para descobrir o que tinham em comum. Isso era incomum na época, pois a psicologia geralmente se concentrava em doenças, não no que pessoas saudáveis fazem bem.
(03:43) Em 1943, ele publicou um artigo fundamental chamado “Uma Teoria da Motivação Humana” na Psychological Review, onde propôs sua famosa “pirâmide de necessidades” que as pessoas têm em sua busca por uma vida plena. Essa teoria afirma que as pessoas satisfazem diferentes níveis de necessidades na vida, categorizados em cinco níveis, do básico ao avançado: primeiro, as fisiológicas, depois a segurança, depois o amor e o pertencimento, depois a estima e, finalmente, a autorrealização.
(04:14) A “pirâmide de Maslow” é mundialmente conhecida por reconhecer as outras necessidades da vida humana que vão além das básicas. A pessoa humana não é apenas um sistema físico e biológico. Somos também emocionais, comunitários e psicológicos. Precisamos de segurança, aceitação e amor. Portanto, dizer “com comida, água e ar, conseguimos” é um eufemismo bastante simplista. Porque, no fim das contas… quem quer apenas sobreviver? Todos nós queremos nos sentir realizados.
(04:46) Anos mais tarde, Maslow sentiu que ainda faltava um nível superior em sua pirâmide. Já que em seus últimos anos, concluiu que a psicologia humanista era incapaz de abranger todos os aspectos da experiência humana.
(05:02 – 05:25) Amanhã, ao acordar, você começará o dia tentando cuidar de si mesmo. Ao final do dia, você terá comido, trabalhado e talvez conversado com seus amigos ou familiares. Todos nós naturalmente buscamos atender às nossas necessidades. Mas quais são realmente essas necessidades diárias? E do que você precisa não apenas para sobreviver, mas também para florescer?
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