Transcrição
(00:00 – 00:04) Gabi: Lembra quando você se metia em encrenca quando criança e dizia: “Foi ele que começou!”
(00:05 – 00:11) Marcos: Sim, é um pouco como a forma de tratar as pessoas do Antigo Testamento. Você me bate, eu te bato de volta. Você me insulta, eu te insulto de volta.
(00:12 – 00:24) Gabi: “Olho por olho e dente por dente”. Essa é uma frase que pode soar familiar. Mas o que a maioria das pessoas não sabe é que essa frase do Livro do Êxodo tinha como objetivo limitar — não encorajar — a vingança contra o outro.
(00:25 – 00:44) Marcos: Na época de Moisés, esse ensinamento tinha como objetivo limitar punições e retaliações. A regra do “olho por olho” era considerada uma forma justa de evitar a escalada da violência. E colocava o conceito de justiça sob uma regra simples: nenhuma punição deve exceder o dano causado.
(00:45 – 00:53) Gabi: Então, quando Jesus ensinou na Oração do Pai Nosso: Perdoai-nos as nossas ofensas, isso seria visto como uma mudança cultural e religiosa muito significativa.
(00:54 – 01:09) Marcos: Jesus nos ensina a tratar as pessoas de forma diferente do que naturalmente trataríamos. Em vez de sermos guiados pela forma como os outros nos tratam, Ele nos ensina a refletir sobre o perdão de Deus. Devemos perdoar os outros como nós mesmos queremos ser perdoados.
(01:10 – 01:18) Gabi: Ter este pedido de perdão no Pai Nosso reorienta completamente a maneira como vemos a justiça: do que parece justo para o que reflete a misericórdia de Deus.
(01:19 – 01:27) Marcos: Jesus pede aos seus seguidores que perdoem, não porque a outra pessoa mereça, mas porque o próprio perdão de Deus o exige.
(01:28 – 01:36) Gabi: Mas o ensinamento de Jesus no Pai Nosso vai ainda mais fundo. O Catecismo nos lembra que Jesus está, na verdade, revelando uma condição para o perdão de Deus.
(01:37 – 01:49) Marcos: A maioria pode pensar que o cristianismo ensina que o perdão de Deus é incondicional. Mas Jesus não apenas revela uma condição, como também nos faz ver que recusar-se a perdoar prejudica a nós mesmos, de certa forma.
(01:50 – 02:12) Gabi: A linguagem do Catecismo é notável. O parágrafo 2838 diz: “Esta petição é surpreendente… e acordo com o segundo membro da frase, a nossa petição não será atendida sem que primeiro tenhamos satisfeito uma exigência. É uma petição voltada para o futuro e a nossa resposta deve tê-la precedido; liga-as uma expressão: «assim como».
(02:13 – 02:28) Marcos: A palavra “como” realmente tem grande peso no centro desta petição. A primeira parte, “perdoai-nos as nossas ofensas”, significa que iniciamos esta súplica rezando uma confissão dos nossos próprios pecados. Admitimos a Deus que pecamos e pedimos perdão.
(02:29 – 03:15) Gabi: Mas também reconhecemos na oração que esse perdão vem com a responsabilidade de estender o mesmo perdão aos outros.
O Catecismo vai ainda mais longe no parágrafo 2840, dizendo: “Ora, e isso é temível, esta onda de misericórdia não pode penetrar nos nossos corações enquanto não tivermos perdoado àqueles que nos ofenderam. O amor, como o corpo de Cristo, é indivisível: nós não podemos amar a Deus, a quem não vemos, se não amarmos o irmão ou a irmã, que vemos (121). Recusando perdoar aos nossos irmãos ou irmãs, o nosso coração fecha-se, a sua dureza torna-o impermeável ao amor misericordioso do Pai. Na confissão do nosso pecado, o nosso coração abre-se à sua graça.”
(03:16 – 03:24) Marcos: Alcançar esse requisito de misericórdia é impossível por nós mesmos. Mas, por meio da oração, pedimos a Deus que nos dê forças para vivê-la.
(03:25 – 03:41) Gabi: Alguns acham que perdoar é permitir ser machucado novamente.Não está em nosso poder não sentir ou esquecer uma ofensa contra nós. Lembre-se, Jesus está nos ensinando uma oração, e por meio dela oferecemos nossos corações a Deus. Deus quer nos ajudar a perdoar!
(03:42 – 03:56) Marcos: Então é aqui, no fundo de nossos corações, que as palavras de perdão de Jesus e Seu amor infinito nos encontram. Ao orarmos esta petição de coração, experimentamos o amor que ama ao extremo.
(03:57 – 04:11) Gabi: O oposto do perdão é a amargura: guardar rancor e se recusar a tratar os outros com caridade porque nos machucaram. Mas todos nós já ofendemos a Deus e aos outros. Todos nós já desejamos e precisamos de perdão em algum momento de nossas vidas.
(04:12 – 04:32) Marcos: Há um ditado que diz que recusar-se a perdoar os outros é como beber veneno na tentativa de magoar outra pessoa. Ao guardarmos essas dívidas e rancores, apenas nos magoamos e nos afastamos do perdão de Deus. Jesus está nos chamando para algo maior. Ele está nos chamando para testemunhar que o amor é mais forte que o pecado.
(04:33 – 04:50) Gabi: E não há limite para o perdão e a misericórdia de Deus, exceto a nossa própria disposição de recebê-los plenamente. E isso significa estender esse dom divino do perdão aos outros em nossas vidas. Para Deus, “olho por olho” não é suficiente para deter o pecado e o mal.
(04:51 – 05:11) Marcos: Devemos ir além e nos esforçarmos para imitar Jesus. Ao nos ensinar a Oração do Pai Nosso, Jesus nos ensina a pedir perdão na medida em que perdoamos os outros. E, dessa forma, a verdadeira oração cristã permite que a misericórdia penetre em nossos corações para que possamos perdoar e sermos perdoados.