Transcrição
(00:00 – 00:14) Marcos: Em 2021, o Papa Francisco fez um comentário aprovando uma revisão da tradução italiana da Oração do Pai Nosso. E ele deu uma razão muito interessante para isso, relacionada às duas últimas petições desta oração que Jesus nos ensinou.
(00:15 – 00:31) Gabi: As três primeiras petições referem-se ao nome de Deus, ao seu Reino e à sua vontade. E nas últimas quatro petições, rezamos por nossas necessidades físicas e espirituais. Então, as duas últimas são: “Não nos deixeis cair em tentação” e “Livrai-nos do mal”.
(00:32 – 01:05) Marcos: Exatamente. E o Papa Francisco queria ter certeza de que realmente entendíamos o que Jesus está nos ensinando nessas petições. Ele aprovou uma revisão da tradução que dizia “Não nos induzais à tentação”, substituindo-a por “Não nos deixeis cair em tentação”, como dizemos em inglês. Sua intenção era esclarecer que Deus não leva as pessoas à tentação. É Satanás, o Maligno, que nos leva a ela.
O Papa não impôs uma nova tradução da Oração do Pai Nosso a todos. Em vez disso, ele comentou, destacando que algumas traduções não capturam o significado completo.
(01:06 – 01:18) Gabi: Isso faz sentido. Mas se Jesus foi tentado no deserto, e se diz que o Espírito Santo o conduziu ao deserto onde foi tentado… então não foi Deus quem “conduziu” Jesus à tentação?
(01:19 – 01:48) Marcos: O Espírito Santo conduziu Jesus ao deserto para orar, para estar perto de Deus e para experimentar provações. O Catecismo ressalta esse ponto ao explicar no parágrafo 2847: “O Espírito Santo permite-nos discernir entre a provação, necessária ao crescimento do homem interior em vista duma virtude «comprovada» e a tentação que conduz ao pecado e à morte. Devemos também distinguir entre «ser tentado» e «consentir» na tentação.”
(01:49 – 2:05) Gabi: Isso é o que é verdadeiramente importante nessas petições. Deus, como um Pai amoroso, não nos conduz à tentação. Ele quer nos proteger dela, mas não apenas isso: Ele também quer que aprendamos a enfrentar a tentação como Jesus.
(02:06 – 02:23) Marcos: e isso faz sentido porque todos nós passamos por provações na vida, que são oportunidades para crescer em obediência e confiança em Deus. Mas não devemos confundir essas provações com tentações, nem com a nossa própria decisão de nos colocarmos em situações em que possamos ser tentados.
(02:24 – 02:51) Gabi: Aqui é importante entender bem a palavra “tentação”. Tentação é uma atração pelo pecado que surge dentro de nós — através dos efeitos do pecado original — ou de fora, como um teste. Todos nós desejamos o bem e a felicidade, e todos nós buscamos escolher coisas que nos trazem felicidade. Mas também somos tentados a aproveitar da nossa liberdade e escolher o pecado, pensando que isso nos trará felicidade.
(02:52 – 03:14) Marcos: E a maneira como o diabo nos tenta é tentando nos convencer de que escolher o pecado nos trará felicidade. O Catecismo explica que, ao pedir ajuda a Deus para evitar a tentação e nos livrar do mal, somos lembrados da nossa necessidade de discernimento. Precisamos distinguir entre o que parece bom e a verdadeira bondade se quisermos vencer a tentação.
(3:15 – 3:39) Gabi: É por isso que faz sentido que o Catecismo chame a tentação de parte do “combate da santidade”. Ela requer discernimento em oração e a graça de Deus, e envolve uma decisão do coração. Jesus nos ensina que a tentação é uma realidade que experimentaremos em um mundo que caiu em pecado. Portanto, precisamos de ajuda para discernir quando Deus está nos levando a uma provação e quando estamos simplesmente consentindo com uma tentação.
(03:40 – 03:59) Marcos: Rezamos a petição final: “Livrai-nos do mal”, que Jesus orou explicitamente. Rezamos juntos, como família de Deus — a Igreja — para sermos completamente libertos do mal. E Jesus não fala apenas do mal como uma ideia abstrata, mas de uma pessoa: Satanás, o Maligno.
(04:00 – 04:25) Gabi: Satanás é um mentiroso e o pai da mentira. E quando cedemos à tentação por meio dessas mentiras, vemos as consequências: destruição, traição e até assassinato. Por meio das mentiras de Satanás, o pecado e a morte entraram no mundo. Nesta petição final, olhamos para a vitória final de Jesus, que começou com seu triunfo na Cruz, a Verdade suprema que “nos livra do mal”.
(04:26 – 04:42) Marcos: Jesus alcançou a vitória e a nossa libertação do mal por meio de sua Paixão, Morte e Ressurreição. Portanto, rezamos no Espírito e com a Igreja: “Vem, Senhor Jesus”, pois sua vinda nos livrará do Maligno.
(04:43 – 05:07) Gabi: Porque, mesmo enfrentando provações, tentações, pecado e morte — até mesmo o Maligno —, não os enfrentamos sozinhos. Jesus nos ensinou no Pai Nosso a pedir ao nosso Pai a graça e a força de que precisamos para nos unirmos a Ele em Sua vitória sobre a tentação, o pecado e o mal. Lutamos a batalha contra a tentação, o pecado e o mal, com Jesus, por meio da oração.